Em meio às discussões sobre a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar um suposto caso de assédio sexual envolvendo uma ex-servidora da Prefeitura de Cuiabá e o ex-secretário municipal de Trabalho, William Leite de Campos, a vereadora Michelly Alencar (União) rebateu, nesta terça-feira (10), cobranças feitas por colegas parlamentares por não ter subscrito o requerimento de instalação da comissão.
Da tribuna da Câmara Municipal, Michelly classificou como “hipócrita” a postura de parlamentares que, segundo ela, tentam impor às mulheres da Casa um comportamento padrão diante do caso. A vereadora afirmou que não aceitará ser utilizada como “escudo” e criticou a pressão direcionada especificamente às integrantes da Mesa Diretora, atualmente composta apenas por mulheres.
“Nem eu nem essa Mesa Diretora agimos sob pressão. Vamos nos posicionar quando couber a nós e no momento em que decidirmos. Chega de homens dizendo como mulher tem que agir na política”, afirmou, ao sustentar que, se a situação envolvesse apenas parlamentares homens, não haveria o mesmo nível de cobrança pública.
Embora tenha reconhecido a gravidade da denúncia, Michelly argumentou que o curto intervalo entre a divulgação do suposto caso — ocorrido no fim de semana — e as cobranças feitas às vereadoras inviabilizou uma análise aprofundada dos fatos. Para ela, a pressa em exigir posicionamentos pode comprometer a responsabilidade institucional.
A parlamentar também destacou sua trajetória pessoal na defesa dos direitos das mulheres e afirmou que sua atuação não se resume a gestos pontuais. “Defendo mulher desde o dia em que nasci, não desde quando me tornei vereadora. Já sofri inúmeras pressões nesta Casa e não cedi a nenhuma delas”, declarou.
Ao abordar o mérito da investigação, Michelly ressaltou que denúncias de assédio sexual configuram crime de natureza penal e devem ser apuradas pelos órgãos competentes. Segundo ela, a condução do caso deve priorizar a proteção da vítima. “Quem entende de violência e defesa da mulher sabe que a premissa é resguardar a vítima. Assédio sexual não se investiga em CPI. Cabe à Polícia Civil, ao Ministério Público e ao Judiciário”, afirmou.
Por fim, a vereadora alertou para a necessidade de cautela na exposição do caso, ao lembrar que a suposta vítima está grávida. Para Michelly, submeter a mulher a julgamentos públicos ou confrontos midiáticos pode agravar ainda mais a situação. “Uma mulher que foi assediada não pode ser reutilizada politicamente nem colocada diante de seu suposto agressor para ter sua palavra questionada”, concluiu.



















