Com 22 votos favoráveis, a Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, na sessão plenária desta terça-feira (10), a criação de uma Comissão Especial para apurar a denúncia de assédio sexual envolvendo o ex-secretário municipal de Trabalho, Willian Leite de Campos.
A definição dos integrantes do colegiado ficará a cargo do Colégio de Líderes, que deve se reunir ainda nesta terça-feira. Após a votação, o vereador Daniel Monteiro (Republicanos), autor do primeiro pedido formal de investigação, reconheceu a derrota na tentativa de instaurar uma CPI e solicitou participação na comissão aprovada.
Durante o debate, a oposição defendeu a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, enquanto a base aliada do prefeito Abilio Brunini (PL) sustentou que o instrumento mais adequado seria a Comissão Especial. O grupo governista, liderado pela vereadora Dra. Mara (Podemos) e com apoio da Mesa Diretora, argumentou que a condução do caso por uma Comissão Especial permitiria maior acolhimento à ex-servidora e evitaria a exposição excessiva da vítima.
A vereadora Katiuscia Mantelli (PSB) reforçou a posição da base ao criticar o que classificou como viés eleitoral da proposta de CPI. Ela também apontou desconforto quanto à possível presidência da investigação, destacando que, apesar de articulações feitas pela Procuradoria da Mulher, presidida por Maria Avallone (PSDB), o requerimento de CPI partiu de Daniel Monteiro, o que lhe garantiria automaticamente a condução dos trabalhos.
Por outro lado, a oposição reagiu duramente à decisão e classificou a Comissão Especial como uma tentativa de esvaziar a investigação. Maria Avallone e Daniel Monteiro afirmaram que a escolha do instrumento limita os poderes investigativos, já que a CPI possui prerrogativas semelhantes às de autoridade judicial, como a quebra de sigilos e a requisição compulsória de documentos.
A tentativa de abertura de uma CPI esbarra ainda em um entrave regimental. O Regimento Interno da Câmara limita o número de CPIs em funcionamento simultâneo, e atualmente todas as vagas estão ocupadas. Além da CPI da CS Mobi 2.0, já em andamento, outras quatro comissões foram protocoladas recentemente, o que bloqueia novas iniciativas por, no mínimo, 120 dias.


















