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Empresário preso em operação da PF que investiga desvios bilionários no INSS já recebeu títulos em MT

A PF encontrou dezenas de obras de arte, carros de luxos e documentos relacionados às investigações

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A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (12), mandados de busca e apreensão contra o advogado e empresário Nelson Wilians, em meio à investigação de um esquema de fraudes bilionárias no INSS. A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões de aposentadorias e pensões em todo o país.

Apesar de agora estar no centro de um dos maiores escândalos envolvendo a Previdência Social, Nelson Wilians construiu ao longo dos últimos anos uma forte ligação com Mato Grosso, onde seu escritório atua desde 2008.

Em Sinop, o advogado recebeu em 2023 o Título de Cidadão Sinopense após participar de uma série de compromissos na cidade. Na ocasião, ele palestrou para estudantes de Direito, almoçou com o prefeito Roberto Dorner, participou de evento na Câmara de Vereadores e se reuniu com empresários e lideranças locais.

Já em 20 de fevereiro de 2024, foi a vez da Assembleia Legislativa de Mato Grosso homenageá-lo com o Título de Cidadão Mato-Grossense, concedido pelo presidente do Parlamento estadual, deputado Eduardo Botelho (União). A honraria destacou a atuação do escritório Nelson Wilians Advogados, que há mais de 15 anos mantém filial em Cuiabá e é apontado como uma das maiores bancas jurídicas da América Latina.

De acordo com a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), entidades de fachada cadastravam aposentados sem autorização, utilizando assinaturas falsas. Os descontos eram feitos diretamente nos benefícios pagos pelo INSS, sem que os segurados soubessem. Dirigentes do Instituto e servidores recebiam propina para facilitar a fraude.

No mesmo inquérito, foram presos o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti, apontados como operadores de um sistema de descontos irregulares aplicados diretamente na folha de beneficiários.

Agentes da PF estiveram na casa e no escritório de Nelson Wilians, em São Paulo, onde encontraram dezenas de obras de arte e levantaram suspeitas sobre movimentações financeiras que somam R$ 4,3 bilhões, segundo relatório do Coaf. Ele aparece ligado a Maurício Camisotti, um dos presos na operação.

A defesa de Nelson Wilians informou que ele tem colaborado integralmente com as autoridades e que sua relação com os investigados é apenas profissional. Disse ainda que os valores sob suspeita se referem a transações imobiliárias regulares e que não há indícios de prática criminosa por parte do advogado.

Em relação ao mandado de busca e apreensão cumprido nesta data, Nelson Wilians, esclarece que tem colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência. Nelson Wilians já afirmou, anteriormente, que sua relação com um dos investigados, seu cliente na área jurídica, é estritamente profissional e legal, o que será comprovado de forma cabal. Os valores por ele transferidos referem-se à aquisição de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita e de fácil comprovação.

Ressaltamos que a medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade. O advogado permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência.

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