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Investigado por contrabando de mercúrio, grupo teria causado prejuízo de R$ 5 bi aos cofres públicos

Em uma tentativa de minimizar esse rombo financeiro, a Justiça de Campinas (SP) ordenou o bloqueio de cerca de R$ 3 bilhões

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As diligências realizadas pela Polícia Federal, que culminaram na execução da Operação Hermes II na última quarta-feira (8), indicam que a organização criminosa teria causado um prejuízo de R$ 5 bilhões aos cofres públicos. Em uma tentativa de minimizar esse rombo financeiro, a Justiça de Campinas (SP) ordenou o bloqueio de cerca de R$ 3 bilhões.

O comando das investigações está sob a coordenação do delegado Dalton Marinho Vieira Júnior. A decisão que embasou a ação policial revela que as apurações tiveram início após a instauração de uma denúncia indicando a prática suposta de comércio ilegal de mercúrio pela empresa Apliquim Equipamentos e Produtos Químicos LTDA., sediada em Paulínia (SP).

O delegado esclareceu que a Apliquim, que alegadamente se dedica à descontaminação de lâmpadas com a recuperação de mercúrio para evitar o descarte inadequado e a contaminação ambiental, estaria recuperando quantidades de mercúrio muito além de sua capacidade real, configurando um sinal de fraude. Ao todo, foram cumpridos 29 mandados em Mato Grosso.

Adicionalmente, foi constatado que a Apliquim teria comercializado mercúrio de maneira altamente suspeita, envolvendo empresas fictícias, com o propósito de “regularizar” (legalizar) o mercúrio que entra no país de maneira ilegal. Pelos registros e declarações fornecidos nos sistemas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi possível rastrear o caminho dessa “legalização de créditos”: sai da Apliquim, passa pela Nothi e chega aos garimpos, por meio do Grupo Veggi.

O documento detalha ainda que Edilson Campos, ao depor em 1º de dezembro do ano passado, confessou ter intermediado a compra de mercúrio, adquirindo-o da Apliquim e repassando a José Ferreira, em Campinas. Segundo a PF, Arnoldo Veggi teria afirmado em conversas que realizava a importação de mercúrio da China para o Brasil, via Campinas, pelo Aeroporto Internacional de Viracopos.

As investigações apontam também que a empresa Quimar, de propriedade de Arnoldo, teria comercializado mais de cinco toneladas de mercúrio ilegal em pouco mais de 24 meses.

Investigação

A operação visa esclarecer se as empresas estariam envolvidas no esquema de contrabando de mercúrio para garimpo de ouro, com o objetivo de investigar e reprimir crimes ambientais, especialmente relacionados ao comércio e uso ilegal de mercúrio, organização criminosa, associação criminosa, receptação, contrabando, falsidade documental e lavagem de dinheiro.

Requisições e medidas

A Polícia Federal solicitou a prisão de Edilson e de mais 15 empresários nessa investigação. Contudo, a juíza Raquel Coelho Dal Rio Silveira, da Primeira Vara Federal de Campinas, considerou as evidências frágeis e rejeitou os pedidos.

Entretanto, foram concedidas medidas cautelares contra os investigados, além de 34 mandados de busca e apreensão – a maioria em Mato Grosso – e o bloqueio e a indisponibilidade de bens dos investigados no valor superior a R$ 2,9 bilhões, com o propósito de compensar os danos ambientais causados.

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