O delegado Marcel Oliveira, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e responsável pelo inquérito da morte do empresário Toni da Silva Flor, de 38 anos, no dia 11 de agosto de 2020, em frente a uma academia de Cuiabá, disse que Ana Cláudia Flor, apontada como mandante do crime, chorava lágrimas de crocodilo pelo falecimento do esposo e é uma pessoa extremamente fria e perigosa. A todo instante, ela o questionava sobre o andamento das investigações e chegou a sugerir para a família a contratação de uma pessoa para matar Igor Espinosa, que foi quem apertou o gatilho e entregou todo esquema. A fala foi proferida durante Tribunal de Juri, que acontece nesta segunda-feira (17).
Questionado sobre a conduta de Ana, o delegado pontou que chegou a ficar incrédulo com a dissimulação. “A mulher vinha constantemente na delegacia, chorava lágrimas de crocodilo, como se diz no jargão. Ela vinha direto perguntar como estava, obvio que a gente não falava a verdade. É aí que você começa ver ela na carreata da saudade, clamando por justiça pela morte, algo que você descobre que ela mesmo foi quem arregimentou”.
Ainda conforme o delegado, nem mesmo durante as buscas em sua residência a mulher mostrou qualquer tipo de arrependimento. “Durante a busca, uma frieza grande. Perguntava o que esta acontecendo. Dizia que não tinha nada a ver com a morte do Toni, que estava tranquila. Você para para rebobinar a fita e vê o grau de frieza desta pessoa. Quando fui relembrar tudo isto, percebi que estava na frente de uma pessoa extremamente fria e perigosa”.
“No dia ou no dia seguinte da prisão do Igor, estava tendo uma festinha e a Ana Claudia passou no lugar e permaneceu com as ideias de que tinha de contratar alguém para matar o Igor, porque se não, não teria justiça. Que o delegado estava mentindo. A mãe do Toni já estava desconfiada dela e disse que não queria isto. Ela estava totalmente desesperada, tanto é que chegou a bater o carro naquele dia”, completou o delegado.
Crime
Segundo consta, Ana e Toni estavam casados há 15 anos, tendo inclusive três filhas fruto deste relacionamento. Porém, a relação estava deteriorando, por conta de relacionamentos extraconjugais da acusada. Antes de morrer, inclusive, a vítima teria dito para a mulher que queria o divórcio.
Inconformada com a separação e querendo ficar com todos os bens do empresário, Ana então começou a bolar um plano para matar o marido. Para tanto, pediu ajuda a sua manicure, Ediane Aparecida da Cruz Silva, que auxiliou na procura por um “matador”.
“Oportunidade em que esta acedeu à macabra solicitação e contactou Wellington Honorio Albino que, por sua vez, com o auxílio de seu amigo Dieliton Mota Da Silva, “terceirizou” o serviço homicida, propondo que a execução do crime fosse perpetrada por Igor Espinosa, que aceitou a tarefa”, diz trecho da denúncia.
“Quanto à acusada Ana Cláudia, há que se destacar que o desvalor de sua conduta é flagrantemente grave, já que ordenou a morte do pai de suas três filhas menores, jamais revelando qualquer arrependimento. Neste aspecto, é evidentemente macabra sua conduta de, após o delito por ela mesma planejada em todos os detalhes, ter promovido campanhas em mídias sociais e até eventos públicos onde cobrava justiça pela morte de seu marido”, pontua o promotor na denúncia.
O promotor ainda lembra que, durante o andamento do inquérito, foi revelado que Ana Cláudia ainda teria intenção de contratar alguém para matar Igor Espina, com evidente objetivo de evitar que fosse delatada pelo mesmo.


















